quinta-feira, novembro 25, 2004

O dia em que o telefone mudou a vida
ou pelo menos isso, já que trabalho numa empresa de telecomunicação

Liguei pra ele pela centésima vez. Estava muito nervosa. Lógico. É hoje o dia do chip. Esqueci do trabalho e de todas as pendências. Quando o telefone tocou, gelei. Ele ria muito, parecia entretido com o que estava acontecendo:

- Fala com ela!
- Mas já? Ela vai ouvir?

Fudeu. Chegou o grande momento. Não sei o que dizer, estou enrolada no trabalho. What the fuck am i going to say?

De repente, muda a voz no telefone. Não é mais ele, é ela:

- Filha?
- Mãe?

Belíssimo diálogo, um espetáculo. Tô ficando animada:

- Tá me ouvindo, mãe?
- Tô mais ou menos, filha. As coisas estão confusas, mas muito engraçadas! Onde você está?
- No trabalho. No meio da tarde, né?! E vc?
- Que?
- Onde você está?
- Ah, saindo do hospital. Indo pro Rio. Sua voz tá feia, hein?
- hahahahah, mãe, é impressão sua... (impressão porra nenhuma, mas não vou desenganar a coitadinha logo agora)
- Mas a do seu pai está pior, não consigo parar de rir! (e não consegue mesmo, ela ria o tempo inteiro).
- Você achou a voz do meu pai feia?
- É... parece voz de pato. Pato Viado.
- hahahahahaha
- Bom, estou indo filha. A gente se fala em casa.
- Ok mãe, boa viagem.

Desligamos o telefone.
Eu desandei a rir. Não sei do que estava rindo, se era do pato viado, se era do telefone que faz a voz ficar engraçada, se era da vida mesmo, que é tão impressionante. Impressionante.

Depois disso, essa que vos fala começou a chorar pela TIM, porque a vida é muito foda e eu sou muito clichê.

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