segunda-feira, agosto 24, 2009

Um ano!

Acordei. Olhei pro apartamento vazio. Já tínhamos vendido quase tudo e o que sobrou – admito – já não me importava mais. A sensação de última vez tomava conta de mim. Lembrei de quando montamos o apê, de tantos sonhos que a gente conseguiu realizar ali. Morávamos na frente da faculdade de comunicação, ironico, porque foi ali que tudo aconteceu entre a gente. Só aquele cantinho entre Botafogo e Urca (nunca definimos que bairro era) sabia. Aliás, nas poucas vezes que eu voltei lá depois, eu chorei que nem criança. Aqueles poucos metros de bairro sabem tanto da minha vida e guardam tanto de mim. Eu sou ali (um nó na minha garganta se faz agora e tenho que parar um pouco o texto pra não chorar em pleno ambiente de trabalho).

O apê tinha uma vista linda. Era de frente pro Pão-de-Açúcar, o que naquele dia ficou cruel, porque pra mim, nada poderia ser mais Rio de Janeiro do que olhar pra Baía de Guanabara, os barquinhos, Niterói, o mar. Ah, o mar. Eu sabia que ficaria um bom tempo sem vê-lo e que isso ia doer. Fora isso, tinha um quarto, um banheiro, um quarto de empregada que foi revertido pra sala e virou escritório, uma (mínima) cozinha, uma área de serviço e um banheiro de empregada (onde botamos a máquina de lavar). Acho que o lugar não tinha mais que 50m2. Mas era tão nosso, tão perfeito, que não faltava nada. Tinha a padaria na calçada, uma locadora que depois fechou, uma vendinha, vaga na garagem, porteiro 24h. O preço do aluguel era justo e, quando alugamos, eu pensei que queria morar pelo menos uns 5 anos ali. Ou comprar o apê do lado e fazer um grandão e viver ali pro resto da vida.

Mas, naquele dia, a casa não tinha mais TV. Nem fogão, nem geladeira, nem cama, nem nada mais. Pra não dizer que estava totalmente vazia: tinha uma mesa, duas estantes e malas. Malas. Era um prenúncio do que seria a minha vida depois que eu fosse embora.

Ah, ir embora. Eu estava um tiquinho atrasada, tinha que correr pro aeroporto. Nem tive todo o tempo que eu queria pra olhar (se eu pudesse, aliás, tava lá olhando até hoje), meu pai chegou, peguei tudo e fui embora. Pra sempre.

Depois disso, é o pacote básico da despedida: um monte de gente no aeroporto, aquelas últimas olhadas pra tudo, choros, promessas, abraços, documentos, excesso de bagagem. Ir embora é de uma estranheza tão grande. Acho que ninguém faz isso de todo feliz. Nem de todo triste. É tão bizarro. O corpo parece flutuar, o coração dói, mas ao mesmo tempo se enche de alegria e esperança pela nova vida que se resolve viver. Você nunca mais será o mesmo.

Eu nunca mais fui a mesma.

***

Hoje faz um ano que eu vim morar aqui. E eu poderia escrever páginas e páginas sobre o assunto, mas já to terminando o post: foi a mais incrível viagem de todas. Nem foram tantas ou tão incríveis, mas essa é de uma grandiosidade tal que posso dizer que me marcou profundamente pro resto da vida.

Pelas pessoas que conheci, pelos lugares que eu vi, pelas experiências e, acima de tudo, por mim, só eumesma pessoa humana própria.

Que se descobriu, se achou, se perdeu. Se conheceu. E cresceu.

7 comentários:

Tais Martins disse...

siemocionei.

bruno_fiuza disse...

carol, sábado de manhã fui ao largo do machado e acabei entrando na bento lisboa. lembrei das incontáveis reuniões na casa do pedro. o ônus não é só seu não, quem ficou por aqui também sente saudades.
que você se ache, se perca, se descubra, conheça e cresça mais ainda ao longos dos próximos 365 dias.
beijo

Ju disse...

Quando a lua apareceu
Ninguém sonhava mais do que eu
Já era tarde
Mas a noite é uma criança distraída
Depois que eu envelhecer
Ninguém precisa mais me dizer
Como é estranho ser humano
Nessas horas de partida
É o fim da picada
Depois da estrada começa
Uma grande avenida
No fim da avenida
Existe uma chance, uma sorte
Uma nova saída
São coisas da vida
E a gente se olha, e não sabe
Se vai ou se fica
Qual é a moral?
Qual vai ser o final
Dessa história?
Eu não tenho nada pra dizer
Por isso eu digo
Que eu não tenho muito o que perder
Por isso jogo
Eu não tenho hora pra morrer
Por isso sonho

o importante é que vc foi, se aventurou e colheu todos os bonus e onus por ter se aventurado, criado a sua independência, construido todo um mundinho novo a sua volta. E isso é gostoso, além de dar uma emoçãozinha, dá uma pontinha de orgulho, não é??

Luana Fornaciari disse...

Ai.............
Chorei.
De verdade.
Para o alto e avante, Carol. Sempre.

"Voltar é uma ilusão. Estamos sempre indo."

Chorei de novo.

Tomás Ferreira disse...

Carol! Adorei seu post! Além de contar um pouco sobre a despedida, nos lembra que sentimos saudades de vocês a uma ano já! Huahuahau
Um beijo e siga em frente!

Ciana Lago disse...

ai
é isso mesmo.
e a noite anterior? Dormir é algo que nao acontece.

Souza Bernal Mariana disse...

carolzéénha, que lindo!!!
essa noite vou procurar nos meus diários como foi os dias anteriores de vir para cá.
já nao lembro os detalhes.
lembro muito quando cheguei aqui, desde o primeiro dia queria que tudo fosse diferente.
a vida é todo dia aprendendo e mudando.
ADORO!
de coraçao te dou os parabéns pelo primeiro ano! você é fodona!