quarta-feira, maio 06, 2009

Sem título

Fico pensando quando foi que as coisas mudaram.

Porque virar adulto é muito chato, além de ser brega constatar isso, de “virar adulto”. Passei a vida toda esperando pelo momento que eu escolheria o que fazer, o que comer, onde enfiar o MEU dinheiro (e se eu quisesse enfiar no rabo, que fosse).

Hoje eu fico pensando que morro de saudade de quando tudo era decidido pra mim. As contas tavam pagas, as roupas lavadas, as férias decididas.

Não é que eu esteja procurando ponto negativo de organizar as minhas férias sozinha, não é isso, mas que eu queria que já estivesse tudo pronto e malas já arrumadas, ah eu queria. Não quero mais decidir nada. A roupa, o peso da bagagem, o que compro pra trazer. Quero pensar em mais nada! Quero voltar a ser recepecionista de evento. Quero voltar pro primeiro período da faculdade. Quero voltar a achar que tá tudo resolvido.

Fico pensando que, no meu blog, eu escrevia o que eu queria, sempre. Falava de coisas muito bregas, outras muito pessoais e outras muito bobas. E não tinha vergonha nenhuma. Agora eu tenho. Edito e reedito os textos pensando nos sentimentos de quem vai ler. No que irão pensar. No tipo de pessoa que vão pensar que eu sou. Nem reclamar do Flamengo eu pude de verdade. Pq eu queria mais era mandar todo ser vivo flamenguista ir tomar no olho do cu e desaparecer com as imbecilidades deles da face da terra. Não com eles, mas com a flamenguice deles. Nessa última frase, vc, leitor atento, já pode perceber que eu to me explicando pra ninguém se sentir muito ofendido e, te digo, eu não fazia isso antes, eu cagava e foda-se. Agora não.

Alguns chamam de maturidade. Um pouco, pode ser.

Eu chamo de tristeza. Porque nem no meu próprio espaço, eu posso fazer o que me dá na telha. Imagina nos outros espaços.

Isso é ser adulto. Isso é ter pseudo poder de decisão. Isso é uma merda.

4 comentários:

bruno_fiuza disse...

carol, carol, era esse o meu espírito hoje de manhã, quando toquei na louça acumulada de quatro dias. faz pouquíssimo tempo tudo estava sempre pronto. TUDO. seis anos atrás nem estágio eu tinha, muito menos emprego e dezenas de compromi$$os. acho que vamos ter que esperar mais uns anos para que a maturidade faça sentido.

KK disse...

ô...
aqui na japona, entre os outros dez mil pensamentos e sensações confusas, esse é um dos tops.
Enfim, mas acho que nada é tão grave assim, e nada é tão leve assim... Não delimitar com uma linha - "até aqui e depois daqui" - é a atitude mais saudável... o resto vai rolando...

Bjs saudosos! Aproveita essa brasila pra mim!!

Circo Golondrina disse...

Carol, da próxima vez que a gente se encontrar te conto uma história muito linda de um argentino e torcedor fanático do botafogo (e pq ele não virou flamenguista). Vc vai ter orgulho da estrela solitária, prometo. Bjim :o)

Ciana Lago disse...

Acho que é uma questão de saber onde vc tá, o que quer e optar se vai levar tudo muito a sério ou não. Levar muito a sério é realmente uma m.
Fez sentido o que eu escrevi?