quarta-feira, outubro 22, 2003

Juju Lugão me mandou um imêio (como diz minha querida ladybug) que tem martelado na minha cabeça. Sou eu, cuspida e escarrada (ê delicadeza).

Não vou trancrevê-lo pq odeio, odeio não, essa palavra é proibida, não simpatizo muito com repassar mensagens.
Vou adaptar o imêio à minha vidinha de merda (aqueeeeeeela, que eu adoro), até pq o blog é meu, quero falar de mim.

Desculpem o plágio descarado, imbecil e prepotente:

Desencana, Carol

Quando estive em Araruama (e quase sempre aliás), fiquei impressionada com o fato de que tudo, absolutamente tudo, corria o risco de virar um post.

Ando na rua. Chove. Penso na solidão das manhãs de chuva. Mentalmente, escrevo um post. Cinco minutos depois, já esqueci.

Penso na faculdade, na rua, nas pessoas que vejo, nos trabalhadores que entram no 415 de manhã cedo. Penso no meu cansaço, na minha vida, nos meus amores. Mentalmente, escrevo outro post.

Penso nos relacionamentos on-line. Nos e-mails que mando. Penso na impessoalidade de conversas ao vivo e nas incríveis coisas que um e-mail descomprometido pode dizer. Penso, mais uma vez nos meus amores, principalmente dos que não gostam de e-mails. No desejo - impossível - de corresponder à fantasia do outro. Na minha vontade enorme de escrever menos, falar menos e agir mais. Mentalmente, escrevo mais um post.

Converso com um grande amigo sobre blogs. Penso na minha fissura por aprender sobre computadores, na minha vontade de esconder isso de todo mundo. Penso no meu blog, no de todo mundo, na minha peregrinação diária por eles. Penso em blogs fazendo e desfazendo amizades. Quero aprender a fazê-los, quero saber fazer. Quero saber tudo, pelo menos um pouco de tudo. Mentalmente, tudo isso vira mais um post.

Já deu meu horário de ir embora. Coisas e mais coisas, como flashs, como relâmpagos, passaram na minha cabeça ao longo do dia. Fico inquieta, quero escrever. Me iludo de que sei escrever. Tudo pode ser um grande assunto. O lanche no Mac Donalds, o limpador de gramas que me ouviu falando de picas e bucetas hoje na faculdade, a mulher gorda ao meu lado, o meu chefe, que é meio transcedental, meio alternativo, meio maconheiro.

Tem também as frases que disse e, na hora, achei absolutamente geniais, mas já esqueci todas... Ah, vai ver que nem eram tão boas assim. Mas naquele instante, mentalmente, também viraram um post. A minha vida se passa num post, com início, meio, fim, frases legais, títulos legais, contadores de comentários e templates.

Tudo isso se processou numa espécie de liqüidificador e virou este post.
Aí eu penso e concordo: desencana, Carol. E pára de transformar a vida em post....

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