sexta-feira, agosto 29, 2003

Confissões de um tempo de solidão

Eu tenho um problema. Como todos vocês.
Eu estava esperando alguém ficar bem, ficar numa boa, pra eu poder despejar nessa pessoa (felizarda) tudo aquilo que vem me angustiando, as coisas que me deixaram depressiva por algum tempo, mas que agora só me deixam tristinha. Porém, ninguém ficou. E quando alguém parece estar resolvendo suas questões (para que finalmente possa me ajudar), surgem outras. Tá, cansei de ficar esperando. E quero deixar claro que isso não foi uma critica aos meus amigos. A culpa é minha, eu não procurei, eu não fui clara. Por vezes, escondi.
Na verdade, eu queria que alguém percebesse. Queria que alguém percebesse e não confundisse com meus acessos momentâneos de chatice e implicância. Mas, todo mundo está tão mergulhado em si mesmo (inclusive eu) que não consegue ver o resto.
E mais uma vez: não estou chateada com ninguém, EU TAMBÉM SOU ASSIM, me incluo neste pensamento.

Então, vamos lá: esse é um post chato, longo e pessoal. Pode ser que você queira parar por aqui.

Meu relacionamento é algo de incrível, isso não é novidade para ninguém. Vivo escrevendo declarações e ele, vive demonstrando o quanto gosta e está afim. Porém, de uns tempos pra cá, isso não era mais suficiente. Eu não conseguia mais ficar completamente feliz, sempre achava que algo estava errado, sempre discutindo por bobeira (isso ainda não acabou, mas melhorou muito). Eu não estava feliz. E me sentia culpada por isso, já que todos vivem dizendo que ele é maravilhoso e o quanto eu não enxergava. E o quanto eu era chata e vivia brigando por bobeiras. E vivia mesmo.
De uma forma gradativa, coloquei todas as minhas expectativas (que nenhum homem conseguiu suprir até hj) em cima dele. E, óbvio, mergulhei numa tristeza imensa. Primeiro, porque nenhum ser humano no mundo consegue adivinhar e perceber tudo o que uma mulher (carente) quer. Segundo porque eu estava com as expectativas erradas.
Mesmo assim, eu não enxergava. Fiquei (muitos de vcs sabem disso) completamente dependente. Ele se tornou meu ar, minha vida, tudo o que eu pensava o tempo todo. Esqueci de mim. Não saia sem ele e a idéia de ter uma habilitação e conseqüentemente ficar longe da sua presença me aterrorizava. Cheguei a pensar em fazer PP só pra passar mais tempo (mais ainda) ao lado dele.
Aí, chegou um dia que eu (e ele, numa conversa) percebi que algo estava errado. Que eu não prestava mais atenção em mim. Não ligava mais para unhas, cabelos, corpo, alimentação, nada. Não ligava para meus amigos, não tinha tempo para nada nem ninguém. Eu cheguei a ficar puta várias vezes quando ele caía da internet e não me ligava (no celular) para avisar o que tinha acontecido.
Neste momento, vocês devem estar pensando o quanto isso é absurdo. É, mas se eu for parar pra contar quantas atitudes absurdas e dependentes eu tive, vocês vão me mudar da ECO direto pro Pinel, que é o meu verdadeiro lugar.
Ao perceber essa merda toda, entrei em crise.
Imagine descobrir que tudo o que você (iludido) pensava ser certo não passou de uma carência enorme e uma dependência sem limites? Tudo o que você acreditava ter como principio de relacionamento desmorona na sua frente e você começa a pensar que os outros (relacionamentos) não deram certo exatamente por sua causa. E que este segue o mesmo caminho.
Quantas vezes eu pensei em terminar, já que eu não poderia ficar lutando comigo mesma por alguém. Não podia me negligenciar para fazer um outro feliz, antes de mim mesma.
E o quanto sofri isso tudo calada. Isso tudo ainda do lado dele. Ainda sorrindo, ainda beijando, ainda amando.
E ainda estou em crise. Ainda me pergunto se vale a pena. Ainda sou dependente, imatura e carente. Mesmo depois de ter namorado umas 3 ou quatro vezes, o que totalizou 6 anos de namoro (com caras diferentes, é claro).
Quantas vezes eu chorei por outras pessoas, quantas vezes eu não pensei que não agüentaria mais nada.
Quantas vezes eu prometi para mim mesma que tudo seria do meu modo, senão simplesmente não seria.
É complicado, não sei se alguém me entende. Reconhecer uma fraqueza. Continuar firme para não cair no mesmo erro bobo de sempre. Não ligar o tempo todo, não perguntar de tudo, não encher o saco sem um bom motivo, não depender tanto, não sofrer tanto, não chorar tanto.
Eu tento, todos os dias, com todas as minhas forças salvar e manter algo que eu acredito ser muito especial. É difícil. Não porque eu não ame, mas porque eu acho que às vezes amo da maneira errada, sei lá, qquer coisa do tipo.
Até porque, convenhamos, seu eu entendesse perfeitamente, não teria porque estar em crise e ter duvidas diárias do que eu quero.
Mas, a cada dia, eu sei que quero, eu sei que consigo. Sempre que penso nisso, me sinto como uma alcoólatra, tentando fugir do vicio e comemorando mais 24 horas. Mais 24 horas sem o exagero.

Eu sempre sonhei com um homem que eu amasse tanto tanto, que diante dos problemas, dos piores problemas, o amor entre nós fortalecesse as esperanças. Sempre sonhei com um amor que me permita continuar, que me dê forças para isso. Fico feliz de ter encontrado, mas quero deixar claro que os sonhos são bregas, o amor continua e realidade é bem mais complicada do que pensamos.

Obrigada para quem conseguiu ter saco de chegar até aqui. Eu precisava desabafar.

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