Quando eu morava no Brasil, tinha uma ajudante em casa. Não era empregada não, porque ela só vinha de 15 em 15 dias e simplesmente fazia isso: me ajudava com o que tinha pra fazer.
Eu sempre tive nervosinho de pessoas trabalhando dentro de casa. Não sei se foi porque tive muitas empregadas quando morava com a minha mãe (teve época de ter duas em um apê de dois quartos e quatro pessoas!) ou se porque acho meio invasivo pra mim ou ainda porque acho que quem cuida da minha casa sou eu. Essa ultima é mentira braba, cuida da minha casa quem quiser, se vocês tiverem afim, tão super bem-vindos pro faxinão de sábado.
Anyway.
Arrumar a moça ajudante no Brasil foi difícil (e olha que ela era parte da Dinastia Marilu, uma irmandade de amor e confiança totalmente dedicada a minha família), mas eu sofria e custava a dar ordens pra ela. Não é meu isso de ficar orientando, não consigo. Ou eu dou logo um esporrão e chamo de BURRA ou não falo nada, fico contemplativa.
Daí que chamar uma faxineira aqui na Argentina foi ainda pior. Eu não sei o vocabulário básico da limpeza em castellano, tava desconfortável de ter alguém na minha casa estrangeira passeando entre os meus pertences e riquezas e tava com a mente recheada de péssimas histórias contadas pelas amigas.
Depois de muito perguntar, acabei optando por “contratar” a moça zeladora do prédio, que como é funcionária do condomínio, achei que seria melhor e de mais confiança, ela não roubar a chave da minha casa ou fugir levando algo ou chamar os amigos assaltantes (mentalidade Rio 2016, né gente).
Superados os medos, um belo dia de sábado qualquer, eu chamei, ela veio.
E minha avaliação do serviço foi: prefiro pagar pra qualquer transeunte do que fazer eumesma. É ótimo que alguém tenha feito, mas ficou muito estranha a limpeza, verdade seja dita. Ela “lavou” os banheiros, mas não jogou uma gota d’água no chão. Ela passou pano no piso, mas não varreu. Ela tava limpando os espelhos com um pano, em vez de limpar com o jornal (tava ficando tudo cheio de pelo). Ela tanto limpou os vidros da varanda que deixou um puta arranhão e um objeto de decoração quebrado. Enfim. Pelo menos a casa ficou com cheirinho de limpa e o preço que ela cobrou foi honesto.
Depois me disseram que eu tenho que ter paciência e ensinar o mais óbvio, mas ai, preguiça viu. Pra ficar explicando imbecilidade, dá vontade de arrancar da mão e fazer logo eu. Me lembro imediatamente da minha psicóloga contando que, por muitos anos, tinha uma empregada que amava. Mas, no dia que foi se mudar, levantou o sofá e percebeu que abaixo dele vivia toda uma flora e uma fauna de distintos representantes da sujeira braba. A amada faxineira nunca tinha se dignado a limpar embaixo do móvel. É por esse caminho que estamos seguindo lemcasa, pressinto.
Bom, aí que com tudo isso e mais o meu histórico de não gostar de gente em casa, fui desanimando. Só que já tinha me apalavrado com a moça zeladora dela vir toda semana.
Mas aí ela desapareceu. Um dia não veio, porque tinha um compromisso. No outro, porque se acidentou. Eu nem encontrava mais com ela pelo prédio. Fiquei feliz pensando que tinha me livrado. Aí toca a campainha. Era ela ostentando uma mão inchadona. Pediu mil desculpas, falou que teve um pobrema no dedo, mostrou todo o membro, contou detalhes, falou do pus, das secreções, falou de dores, de hospital e de agulhas debaixo da unha. Aaaaarfe eu atraio loucuras, não é possível! Apertei rapidamente o botão off do meu castellano e deixei Maridón parado na porta aturando aquele festival de deusmelivre.
Conclusão é que no próximo sábado, ela tá de volta.
ai.
6 comentários:
hahahahah realmente é ótimo ter alguém para limpar... eu que o diga.. mas vou dizer, é difiço! E a minha inabilidade para dar ordens também é enorme! Fico com vergonha, acho que a pessoa vai me odiar por dentro e tal... Mas por mais que apareça de vez enquando um copo quebrado ou alguma outra coisa esquisita, fica tudo bem bonitinho, sabe?
Até que Dona Elza lá do flat passou o mês de setembro de férias... meniiiiina senti uma saudade da D. Elza!!! Entrou uma outra moça que eu não tive o prazer de ver... que era péssima... uma vez fui tomar um copo de água... o copo estava tão bem lavado que quando coloquei abri a torneira do filtro fez uma espuminha no copo... entre outras lindezas...
Aí, já combinei com o Rodrigo: assim que Dona Elza voltar de férias vamos dar um presentão pra ela!! AInda não sei o que... de repente uma caixa de bombons... sei lá!!
Viva D. Elza!!
tenho os mesmos prtoblemas...
n sei ensinar.. fico sem graça..
n sei dar esporro...
e qd chego o limite e tenho q dispensar.. sempre peço ajuda a minha ame e chego beeeeem tarde do trab..
uhauhauhuahua
beijos
Minha gloriosa Gregória está comendo meus divinos bombons Lindt suíços que não se encontram por estas bandas e foram presente da minha mãe. Eu estava guardando pra "ocasiões especiais", a desgraçada vai lá e come. Uma vez. Duas. Três. Escondi no criado-mudo, uma forma sutil de dizer "não coma". Não adiantou. Quinta ela vai ouvir. Também tenho dó, vou falar na boa, mas ela vai ouvir. Me roube dinheiro, mas não mexa com meus chocolates.
Realmente, se quer a coisa bem feita, faça você mesma. Uma vez pedi pra uma namorada francesa me dar banho. Ela passou um paninho molhado no meu sovaco e depois me jorrou perfume. (mentira! haha)
Mas eu tenho trauma de empregada. Uma faxineira da minha mãe roubou uma pipa minha quando eu era criança. É tipo medo de palhaço e tal. hahaha
Beijo!
Bruno Silva
http://www.ladobdocassete.com.br
Nossa. me vi nas suas palavras.
Eu tenho HORROR a me relacionar com faxeineiras. Até consigo fazer uma listinha com os afazeres que espero que ela realize durante aquelas horas, mas conto totalmente com o bom senso da nova amiga.
Mas é uma relação sempre delicada. É alguem na sua casa, sempre invasivo. Além disso sinto uma certa culpa por reproduzir a relação casa grande-senzala. Sério. PORRA, se ela faz, a gente poderia perfeitamente fazer também. Mas fica no "eu mereço" e prefere repassar o trabalho.
Mas é fato que eu não sei dar bronca numa senhora que poderia no mínimo ser minha tia. E sempre mudo. Já tive quase 10. Eu fico magoada, puta, mas no fundo com pena da relação.
E a minha piadinha (o comment ta gigante): certa vez estava a faxineira da minha melhor amiga la em casa. Ela me conhece há 25 anos, mega de confiança. Nininha. Eis que depois de um dia fora chego em casa e tem um bilhete da Nininha dizendo que teve um probleminha no tanque de lavar roupas, mas que resolveu. Vou conferir e o tanque está ESFATIFADO, mas todo encaixadinho, meio colado com cuspe. Fiquei olhando sem saber o que dizer e menos ainda o que fazer. Se ria (porque é patético) ou se chorava (porque um tanque de louça é caropracaralho).
confesso que também não tenho muita desenvoltura, não, mas também nunca tive que ter...
mas sempre tive HORROR de empregadas que dormem em casa. eu nunca tive, mas morria de vergonha na casa das cUlegas que tinham!
ah, mas eu sentia MUITA falta de uma lá em madri. DEOS, que falta que uma fazia! E isso vc viu com seus próprios olhos, né não? :P
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