Hoje faz um ano que recebi e aceitei a proposta de vir pra Buenos Aires. Faz um ano que tive o último dia que mudou a minha vida (aqui).
Eu lembro do que senti ao longo desse dia do ano passado como se fosse ontem. A vontade de sair gritando a notícia pelos corredores, a surpresa, as borboletas na barriga, chegar em casa e olhar pro meu apartamento em Botafogo e pensar que aquilo ia acabar.
Eu sei que tudo na vida vai acabar, mas quando você começa a viver o fim, é uma sensação completamente diferente. Até porque naquele dia eu vivi o fim e o começo, ao mesmo tempo.
Hoje, pensando nisso tudo, eu tenho uma enorme vontade de chorar. Mas não confundam isso com tristeza. Eu quero chorar por muitas coisas. Pelos milhares de últimos momentos lindos e olhares felizes que eu colecionei. Pelo Rio amado que deixei pra trás. Pela minha família que ficou. Pelos meus amigos que eu sinto uma falta que dói. Pela alegria que é quando um querido chega aqui. Pela imensa oportunidade que eu tive. Por poder todos os dias aprender mais, conhecer coisas novas, ver outras pessoas, aprender outra língua. Por ter crescido. Por ter a definitiva certeza de que saudade é um sentimento que sempre irá me acompanhar, pois mesmo se eu for embora, sentirei falta daqui.
Mas principalmente, eu quero chorar por ele. Meu querido, meu amor, meu Maridón. Chorar de imensa alegria por tudo que ele é pra mim.
A primeira pessoa pra quem eu contei que rolava a chance de vir foi ele. Foi ele que me apoiou, foi ele que deixou tudo pra trás e veio comigo. Até hoje eu lembro do diálogo, eu respirei fundo (sabia que ia falar uma coisa muito importante e, se tivesse uma camera, gravava aquele momento):
- Amor, rola uma possibilidade de ir pra Buenos Aires, morar e trabalhar lá. A Gi tá saindo e meu nome foi cogitado pra vaga dela.
- Que ótimo, quando vamos?
E foi assim que decidimos. E foi assim que, mais uma vez eu vi. O carinho, o respeito, a confiança, o amor maior.
Claro que discutimos sobre muito mais sobre o assunto (acho que ainda discutimos “Buenos Aires” até hoje). Mas ele nunca hesitou, nunca duvidou.
***
Hoje eu liguei pra ele pra falar da puta da proprietária do apartamento antigo que tá querendo se dar bem em cima da gente. Reclamei, reclamei, reclamei, como sempre faço. A gente não resolveu nada, mas eu fiquei tão tranquila. Só porque ele me ouviu.
***
Ai, ai, que marido fofo que eu tenho.
5 comentários:
Ai Carol
Emocionei.
EMOSSÃO
e manda essa proprietaria ir catar coquinho!
manda a proprietária cagar.
a partir do momento que vc vazou do ap e entregou a chave todos os problemas são dela!
nhóóóóóó
1 ano na Argentina e ainda não se deu conta? só mais uma argentina, TODO estrangeiro já passou por isso!!!
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