domingo, abril 18, 2004

Eu voltei pra casa, no carro, pensando no que eu poderia fazer para que tudo ficasse melhor.
Não sabia.
Cheguei em casa. O vazio cresceu. Cresceu.
Eu te liguei.
"Não tenho condições de resolver o problema de ninguém agora"

existe egoísmo maior do que esse?
Não sei.

Olhei para a caixa de remédios. Peguei a bula. Superdosagem: Vômito. Sedação.
Não vou tomar essa merda para morrer. Vai que eu consigo. Então, vamos com calma. Está insuportável, mas eu não quero morrer. Não veria o final da história. Então, tomei só um. Pensei melhor, tomei outro. Pensei mais um pouco, tomei mais outro. Tá, agora acho que está bom.

Deitei no sofá. Acho que as minhas lágrimas escorreram até o ouvido, senti algo estranho. Fiquei pensando em tomar mais outro. Putaqueopariu, o que é que estou fazendo da minha vida? Fiquei mais estranha. Minha irmã veio me perguntar se eu estava louca. Meu pai perguntou porque eu estava com cara de tristeza (nossa, pensei que ele não veria isso nunca), minha mãe.... bom, minha mãe não se importa muito com a minha existência. Tomando remédio ou não, ela está cagando.

Muito estranha. Estou com muito sono. Tenho medo de não ter falado nada com nada.
Tenho medo de você ficar pensando que eu tentei me matar. Não quero pena de mim. Só fiquei com sono mesmo. Meio chapada, eu acho. Com os braços moles, as pernas não me aguentam muito bem.

Acho que eu vou dormir.

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