A caminho do trabalho, eu vi uma mulher sendo atropelada na Presidente Vargas.
Eu vi. Ela voou. Foi forte, ela se espatifou.
Morreu.
Simples assim.
Numa manhã qualquer, você atravessa uma rua, é atropelado e morre.
E eu ainda penso que a morte será um acontecimento distante, com contexto e alguma expectativa.
Eu nunca penso que, por exemplo, o almoço que marquei com o namorado pode não acontecer porque eu posso morrer agora.
E nem vou ter como avisar a ele, coitado.
Eu sei que isso tudo é muito piegas, muito não-original.
Agora, vá para o trabalho de manhã e veja alguém morrendo.
Nunca vi a mulher na minha vida, não sei quem ela é, não sei se era uma filha da puta que merecia morrer.
Mesmo assim, estou arrasada.
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