sexta-feira, janeiro 30, 2004

Adoro meus devaneios.
Adoro minha insensatez. Meus altos e baixos.
Adoro a sensação de revolta que sinto toda vez que algo me deixa nervosa. E adoro rir disso depois.
Adoro a minha inconstância, minha incoerência. Minha loucura. Minhas viagens.
Adoro meus papos de maconheira. Adoro me entregar a pensamentos inúteis.
Adoro quando sou sensata. Quando sou adulta. Madura, talvez.
Adoro achar que só por ser mais nova que todos os amigos, sou uma criança.
Também gosto de achar que posso ser inconsequente. E adoro a minha inconsequência.
Gosto muito de ter problemas, de viver problemas. Adoro a intensidade das coisas. Quando tudo está resolvido, não tem mais graça.
Gosto de chorar como se fosse a última vez. Gosto de fazer drama. Viver drama.
Adoro, depois de tudo, fazer as pazes. Como se nada tivesse acontecido. Ou como se tudo tivesse. E gosto de pensar sobre isso.
Indagar, conjecturar. Imaginar situações. Idealizar. Adoro essas coisas.
Sorrir, de tudo, à toa. Ficar olhando pro Pão-de-açúcar todas as vezes que passo pelo Aterro e sentir um friozinho na barriga. De tão bonito que é.
Tão lindo, um dia assim, ensolarado é uma das coisas mais bonitas que há. Simples. Quase choro, às vezes.
e, não deixo de reclamar desse calor de merda.

Posso brigar com alguém e, no minuto seguinte, querer abraçar e dizer que amo.
Eu gosto de viver assim.

Sem contexto. Na base do foda-se. Dando a maior importância, sem dar a mínima.

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