quinta-feira, dezembro 04, 2003

Primeiro, a pergunta:
- E aí Carol? Melhorou?

Segundo, a minha resposta:
- Sim, ainda estou um pouco enjoada, mas acho que estou melhorando.

Terceiro, a verdade - que eu tento negar (a mim mesma, eu minto antes pra mim, depois pra você):
- Não, eu não estou melhor. Minha cabeça dói loucamente, estou enjoada, não tenho tesão de comer, não quero fazer sexo, não quero dar beijo na boca, não quero sorrir muito porque tudo que é muito faz a minha cabeça doer. Dói a cada movimento, a cada piscada de olho, a cada luz que fica mais forte, a cada barulho mais agudo, a cada assobio, o tempo todo. Sim, eu vou ao médico, assim que meu plano de saúde estiver regularizado. Não, eu não tenho condições de ir trabalhar, nem de ir à faculdade. Mas eu vou. Não sei porquê. Não há um porquê. Eu não falei a verdade completa não por maldade, mas é porque eu quero acreditar que estou melhorando.

Quarto, o post em si:
- Estou morrendo. Todos estamos. Eu tenho certeza de que vou morrer da cabeça, ela vai explodir e alguém vai ter que colocar uma faixa na parte de cima dela pra eu poder estar bonitinha no meu velório. Já consigo ver meu enterro. Eu vejo todos vocês lá. Alguns choram, outros não, outros estão até rindo. Não, ninguém está rindo de mim, vocês estão rindo da morte. Rindo porque não conseguem fugir dela, porque têm medo, porque ela é inevitável, implacável. Vocês todos vão morrer. E eu, óbvio, também vou. Fico imaginando que eu tenho um enorme tumor na cabeça, que comprime todos os meus miolinhos. Fico imaginando meu miolinhos, tadinhos, eles estão sofrendo. Eu imagino tantas loucuras, tantas, que acho que a minha dor de cabeça crônica vem da minha enorme capacidade de ver situações idiotas. Não entendeu? Ela imagina o irreal, fica cansada e dói. Nada mais sensato. Quando a gente exercita muito os músculos, eles dóem, principalmente se não temos o costume. Eu, como nunca tive o costume de exercitar a mente, agora sofro.

Quinto, a loucura inerente à dor de cabeça:
- E muito se sabe que eu não regulo muito bem. É, eu sou meio louca. Tenho enlouquecido cada vez mais. Imagino situações que não existem, pessoas que brigam comigo, mortes que não aconteceram, vidas que ainda não surgiram, viagens que nunca serão feitas. Isso não é exatamente um problema. Problema é quando você fala muita besteira, dorme o tempo todo em qualquer lugar, fica puto com pequenas coisas a ponto de começar a chorar de repente, começa a ver pessoas à sua volta falando coisas sem sentido quando, na verdade, que não faz sentido sou eu, quem não está entendendo bem sou eu. êta porra. que confusão. Fico horas rindo de imêios babacas e fico horas reclamando da mulher louca que me chutou no ônibus*. Se você me disser algo sem graça, é capaz de eu não entender nada. Amanhã eu vou entender. Depois de amanhã eu vou começar a rir. E depois eu vou ficar com dor de cabeça. Porque tudo termina como começou: dor de cabeça.

Sexto, meu namorado (vulgo Pedrin) concorda:
- Você acha que eu estou louca?
- Acho não. Tenho certeza.


*essa é uma história para outro post, mas a mulé é uma doida, eu nunca mais vou esquecer disso

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