estava eu, dentro do 426 (Copacabana - Usina), olhando distraidamente para essa chuvinha fina e para os carros que passavam, do lado esquerdo. ao mesmo tempo, o motorista contava animadamente a história de sua primeira batida de carro. enfiou a porra do Passat 76 num poste e o seguro deu perda total. o mais legal é o cara pagar seguro num Passat. o motorista de ônibus. tudo bem, eu estava rindo muito, o cara era engraçado e, ao contar a história pros passageiro tudo, não estava prestando muita atenção ao trânsito. tudo bem, eram dez horas da manhã. essa hora, na rua, só desocupados como eu e velhos.
eis que, do lado esquerdo, daquele que passavam carros aleatórios de desocupados (até pq os velhos não andam de carro, eles gostam mesmo é de lotar os coletivos na hora do rush e deixar todo mundo em pé), vejo um Tipo (sim, Tipo é um nome de carro) com um moço de terno dirigindo. um moço não, era um cara de meia idade, talvez um 50 anos. tá, tudo bem. isso nem importa. a questão é que, em meio ao trânsito de velhos e desocupados, o cara tocava tamborim ao volante.
uma pausa: vocês sabem o que é tamborim? tá, ninguém é idiota, tamborim é aquele instrumento maldito do carnaval e dos pagodeiros, que vc usa um pau (favor não confundir pau com piru) para tocar. tá ficou estranho. não é um instrumento de tocar punheta, é um pandeiro sem os chocalhos e menorzinho, que se usa uma baqueta para extrair algum som.
isso não foi uma viagem minha. eu não estava drogada, não estava bêbada, estava até com um pouco de sono, mas estava atenta. sim, aquilo era um tamborim. e sim, ele tocava o tamborim enquanto dirigia. várias questões surgem disso. será que ele estava realmente dirigindo? será que ele estava realmente tocando? será que ele era realmente louco? será que eu estava realmente louca? será que havia mesmo um cara tocando tamborim em meio ao trânsito na Tijuca? e a mais relevante: será que ele tocava bem?
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