sexta-feira, setembro 12, 2003

Emblemático o quanto eu sou doida.
Não sei se vocês sabem, mas eu escrevo meus posts no word e, de noite, publico (culpa da minha incrível conexão discada).
Hoje, eu escrevi dois posts no word, em momentos diferentes (dãnnn, é óbvio...).
Emblemático o quanto eu sou doida:

POST 1 - DUAS E MEIA DA TARDE

"Estou puta por alguns motivos: depois de passar o dia inteiro nervosa por causa dessa entrevista, meu namorado, que marcou um almoço comigo, ainda não pareceu e o tempo está voando, parece que não vai dar tempo para nada. Mas a culpa não é dele e nem estou puta por causa disso. Eu estou é preocupada porque acabei de ligar pro Snel e o cara que deveria me entrevistar está em reunião e a previsão de acabar é entre 3 e 4 horas da tarde. Detalhe: meu compromisso com ele é exatamente neste horário. As quatro da tarde. Mas obviamente, ele não deve se lembrar da estagiária-wannabe, já que o cara deve ter muitas outras coisas mais importantes para resolver. E eu passei o dia nervosa, enquanto o cara nem se lembra de mim. Não é importante que ele se lembre de mim, só quero o meu estágio, só isso. Se ele lembra da minha pessoa ou não, não importa muito.
Enquanto isso, o Pedro deve estar na sucursal do inferno: o CIEE, um horror de gente e de oportunidades de estágio merda. Mas que todo mundo quer – inclusive eu.
Aquilo lá é símbolo da degradação do estudante, matando-se para trabalhar seis horas por dia, não aprender tanto assim da porcaria da profissão e ganhar um salário de merda.
Tá, estou mal-humorada, eu bem sei disso. Já devo ter ligado pro Pedro umas trezentas vezes e ainda dei um fora (singelo) na Joana - tadinha, nada tinha a ver com o ocorrido.
Dito isso, eis a minha opinião sobre a vida: uma merda. A gente acha que vai fazer muita importância para o mundo inteiro, mas não, o máximo que vamos conseguir é uma família legal, alguns bons amigos e um amor (ou vários, dependendo da sua disposição para o sexo). Eu sei que isso basta, mas bem no nosso íntimo, queremos os holofotes em cima da nossa pessoa, multidões batendo palmas e permanecer numa falsa modéstia dizendo: “que isso, não foi nada...”. Não foi nada é o caralho, ralamos muito para chegar onde estamos, adoramos bajulação e somos foda, foda mesmo.
Daí, procurar estágio para ganhar pouco, trabalhar muito, ser chamado de burro, chorar no banheiro e ainda fingir que está feliz e satisfeito é, no mínimo, humilhante.
Mas, não dá (pelo menos ainda não) para fazer algo de muito bom contra isso. Então vamos lá: encarar filas enooooormes no CIEE, colocar currículo até no blog dos outros e dar referencias próprias aos transeuntes. Hehehehehe, transeuntes é uma palavra muito ridícula."



POST 2 - OITO E MEIA DA NOITE

"Imagine o sol se pondo, com uma musica de fundo tipo “Hawaí” (não sei explicar este estilo de música)e eu deitada numa rede, tranqüila. O sol faz um céu em degradê de laranja e há uma brisa suave no ar. Eu visto roupas azuis, daquelas amarradas, bem à vontade. Admiro a vida, o mar e o clima gostoso de fim de tarde.A câmera vai afastando lentamente e os créditos começam a passar na tela. Tudo resolvido, fim da trama.
É assim que estou me sentindo.
Tudo parece um pouco mais calmo.
Eu sei que devo estar enfeitando, mas as coisas parecem acontecer mais lentamente e o tempo passa mais devagar.
Depois de um ano e muitos meses de faculdade, de doideira, de gente nova, de um mundo novo, as coisas começam a clarear e o turbilhão de incertezas da minha mente estranha parece acalmar. Finalmente.
Tudo isso porque arrumei um estágio.
Certas coisas fazem com que eu encontre um rumo e muitas metáforas para minha vida.
É gostosa a sensação de “tá, resolvi um problema, uma etapa acabou”.
Finalmente me dei conta de que o tempo de vaganbunda-estuda-de-tarde-dorme-o-dia-todo acabou. Foi bom enquanto durou. Mas chega, tô de saco cheio, não aturava mais. Todo mundo se resolvendo, até a Grazi faz estágio, menos eu. Não que ela não seja competente, mas que é um símbolo, é. Pô, eu sei que não sou uma imbecil (tá, eu chamei a Grazi de imbecil...), precisava que alguém soubesse disso também. Alguém que não fossem nenhum de vocês, considerando que meus leitores têm a certeza de que eu sou foda. Senão, nem leriam esta merda imbecil de blog."



Emblemático o quanto eu sou doida.

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