domingo, setembro 14, 2003

despedida

o que é vida sem a emoção da internet discada?
o que é esperar até meia-noite para ler e-mails chatos?
o que é viver sem ter a imensa adrenalina de cair a qualquer momento?
o que é receber uma conta de telefone de quase trezentos reais?
o que é escrever posts no word para não gastar tempo da preciosa conexão do iG?
o que é esperar duas ou três horas para fazer um download?

emoções estas que só os felizes conhecem.
que só os mais pacientes aturam.
que somente os mais desocupados gostam.
que apenas os mais imbecis preservam.

imbecil que sou,
preservei. fui feliz. caí. morri de sono. aguardei. e caí de novo. preservei mais um pouquinho. agora chega.

não mais, queridos leitores, posts serão postados (se posts não fossem postados, algo na vida estaria errado...) após a meia-noite.
não mais Carol estará online nas madrugas solitárias.
não mais esperar páginas carregando.
e downloads eternos.

encerra-se aqui um ciclo.
depois de um template bonitinho, links, coments e sei lá mais o que que fiz de usual neste blog e na internet em geral, rendo-me aos encantos da conexão banda larga.
entrego-me também às futilidades edificantes oferecidas pela Globo.com.
e ainda cedo aos inenarráveis 120 reais por mês por essa gracinha.

foi ótimo.
sinto-me uma nerd, comemorando a chegada do Velox nas longínquas terras tijucanas.

e para celebrar o excesso de futilidade, uma homenagem de despedida ao meu inesquecível tempo de emoções vividas ao som do do meu computador discando, buscando um espaço dentre os demais:

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente

(Soneto da Separação)

deixo-te, mas não te esquecerei.

[durante a publicação deste post, um dos últimos da eterna conexão discada, ao atualizar a página, veio a também eterna mensagem: "A página não pode ser exibida" e um aviso de que eu deveria rediscar em 60 segundos. vou morrer de saudades...]







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