Caro senhor Mate Leão,
Acredito dever-lhe algumas explicações sobre meu último post. Não só ao senhor, mas a todos que leram e que, de certa forma, se sentiram ofendidos. Quero deixar claro, antes de tudo, que odeio explicações. Odeio de verdade, principalmente quando percebo que não houve um esforço para ler nas entrelinhas, como se diz. Mas não posso exigir que as pessoas interpretem as coisas como eu o faço.
Entendo, depois de ler e reler meu texto, que o senhor foi o mais prejudicado por minhas declarações, já que o menciono por duas vezes. Aos outros, não encontrei ofensas diretas, somente sugestões e brincadeiras.
Porém, fui incompreendida. Infelizmente, alguns não acompanharam o sentido de auto-crítica daquele post. Sim, auto-crítica, eu me sacaneei mais que a todo mundo. Disse, em alto e bom som que não entendo muitas das coisas com as quais convivo. O senhor deve saber que, de acordo com o senso comum, temos a tendência de não gostar daquilo que não entendemos. É normal. Minha forma de expressar minha chateação, e porque não dizer, tristeza, com a minha incapacidade diante de tais aspectos foi de dizer "eu odeio".
Os "ódios" descritos ao longo do post foram baseados em situações cotidianas recentes. Dentre elas, o Festival de Cinema. Que eu não odeio. Na verdade, queria poder gostar. Queria poder ter grana para desenvolver este gosto. E paciência. Mas ainda não tenho. Outro exemplo dado foi sobre música, outro assunto bastante conflitante para mim. Também reclamo de coisas inovadoras, as quais não estu acostumada. Falei ainda, sobre aspecto ruins da personalidade, mas os listados são realmente ruins em qualquer situação.
Não gosto de me fazer de vítima. Por isso, escrevi em forma de ataque, em forma de provocação. Tive o cuidado de, no final do post, salientar que tudo não passava de uma brincadeira e de um acesso de inveja. Além disso, foi a minha maneira de desabafar o quanto me sinto mal diante das minhas deficiências, beirando ao ódio. E, por não gostar de me fazer de vítima, não culpei ninguém por não ter se esforçado para me compreender. Acredito que não posso cobrar isso dos outros se não me fiz clara nas minhas intenções.
Considero-me uma pessoa corajosa, senhor Mate. Sabia que este seria um post arriscado. O senhor já está consolidado no mercado, mas meu blog não. E ambos sabemos que, nos momentos difíceis, devemos recorrer a formas mais apelativas para trazer a audiência, para garantir o público. O senhor mesmo já aderiu a uma campanha forte em seu favor (olha o Mate, Mate leããõ; olha o Mate, Mate Leãããooooo), deve saber do que eu estou falando. Determinadas formas de se tratar um mesmo tópico são melhores sucedidas que outras. Era necessário causar polêmica. E o resultado foi bom: 15 comments - uma glória. Devo confessar que gosto do post, apesar de preconceituoso, é divertido.
Falei isso tudo para dizer que não odeio ninguém, nem mesmo seus hábitos. Minha maior tristeza (ou ódio, como quiser) é comigo mesma, por não conseguir ter tais hábitos (que eu tanto gostaria). Fico feliz pelos que entenderam, chateada pelos que levaram muito a sério. Pretendo resolver assim que possível este mal-entendido.
Mesmo sendo o senhor, o mais mencionado no meu texto, devo dizer que não retirarei uma palavra. Eu realmente te odeio. Muito mesmo. Desculpe, mas prefiro contar a verdade. Não gosto da sua aparência, detesto seu cheiro, não consigo suportar seu sabor. Odeio-lhe tanto como amo a Coca-Cola.
Sem mais para o momento, despeço-me lembrando que o ódio não existiria se não houvesse o amor. E vice-versa. É uma filosofia de botequim, eu sei. Explico-me: o ódio e o amor caminham de mãos dadas. Não é à toa se odiar um ex-namorado. Não é à toa invejar uma garota bonita, você a odeia, ao mesmo tempo, a ama - não passa um dia sem reparar na sua presença.
Pense nisso e procure não se ofender das próximas vezes.
Eu te odeio, mas eu te amo.
Atenciosamente,
Carolina Queen Rainha Pachec(ã)o.
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