domingo, agosto 17, 2003

Querido Bruno Alberto Gonzaga Correia Fiuza,

Excelente post. Fico constantemente pensando sobre ele. Sobre o verdadeiro tamanho das coisas. Sobre a verdadeira importância das coisas, das atitudes...
O livro e eu. Um grande e melancólico clichê.

Só que eu, infelizmente, ando bem confusa com relação ao meu tamanho e o do livro.
Estou sem direção.
Fácil é ter uma vidinha aparentemente perfeita. Fácil é se esconder atrás de tudo.
Experimente gritar para surdos. Ninguém vai te ouvir.
O livro é sempre maior que eu.
Não estou entendendo a relação do livro comigo.
Tudo um grande clichê.

Sabe, Bruno, eu estou gritando, mas a falsidade da minha vidinha perfeita não te deixa escutar. Não é só você. Não é culpa sua. Nem de ninguém. Querido, eu estou perdida. Tão perdida que nem consigo explicar porque estou deprimida. Acho que, por hora, basta dizer que estou.
Que o sorriso que você vê no meu rosto não é real. Que as palhaçadas são ditas da boca pra fora. Que as cobranças são um pedido de socorro. Que ter passado pra jornal não significou quase nada. Que ter um carro e saber dirigir não significa que não quero ser levada. Que meu corpo enfraquece e acho que vou enlouquecer.
Eu choro (como toda mulher idiota). Meu corpo amolece, meus sentidos do mundo são cada vez mais confusos e fracos, minhas pernas balançam, eu choro ainda mais, enfraqueço, me perco, choro, ai, eu vou cair daqui a pouco. Então eu fecho os olhos e me perco num mundo estranho, me perco na minha mente e em pensamentos que estão sem direção. Por favor, se você, querido Bruno, quiser dizer alguma coisa pra mim, só peço que não venha me dizer que sou boba, ou que não posso ficar me sentindo uma derrotada. Eu posso sim! Eu sou boba sim! Eu estou confusa e deprimida, sem rumo. Sei o que vou fazer, mas não tenho certeza. Acho que não sei mais nem quem sou.
Por isso, quando você falou do seu tamanho e do tamanho do livro, eu fiquei feliz de você ter visto que o livro não importa, que você é muito maior. Mas as atitudes meio sem sentido, meio sem propósito encerram coisas na sua vida que você não tinha se dado conta. Eu ainda estou perdida e muito menor que qualquer livro de 400 páginas.
Tenho um de 200 em casa que não consigo ler até o segundo capítulo.

Tá, em breve, estarei louca.

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