sexta-feira, agosto 08, 2003

Quatro e vinte e três.
Mais uma vez escrevo no Word. Isso porque estou tentando economizar telefone, então só posso entrar na internet depois de meia-noite.

A cada dia que passa eu odeio mais e mais essas férias. Não tem nada pra fazer. Nada. Um saco. Hoje tem o aniversário da Joana. O mais engraçado é que ela convidou um monte de gente inusitada, tipo Diogo. É óbvio que eu convidaria o Diogo para o meu aniversário, mas a Joana? Muito divertido.

Eu continuo pensando nos amigos e na importância deles. Mas sou sempre interrompida pela Globo, que mais uma vez fala do Roberto Marinho. Sei que essa frase pareceu um pouco sem sentido, mas é verdade, eu paro pra pensar nas coisas (paro o q? Não faço nada mesmo...) e lá vem ela, a televisão. E mais uma vez, Roberto Marinho.
Aí o Firula diz: “eu não vejo televisão�. Ihhh, eu vejo sim. Na verdade, a minha televisão fica ligada 24 horas por dia (quando eu estou em casa). Eu penso que ela ficar desligada, a Samara (ou Samako, como preferirem) vai sair da televisão e vai vir me pegar. Logo, com a televisão ligada, ela não terá a oportunidade de ligar sozinha. Nem ela, nem o Roberto Marinho.
Eu vi tanta imagem do cara que daqui pouco quem vai sair do poço é ele e não Samara.
Já pensou?
Um velho, de 98 anos, todo enrugado, com cara de maracujá de gaveta, saindo do poço. Começa a andar em direção à tela da TV, como se estivesse me vendo. Anda com aquele efeito horrível, de quem anda pra trás.... ui, horrível. Como ele não tem muito cabelo, vamos inserir a essa imaginação, Dona Lilly. Cheia de plástica, com o cabelo engomadinho, cheio de laquê, roupas meio bregas, meio de antigamente, é uma mulher feia. Ao invés de água escorrendo pelo chão do meu quarto, laquê. Eles dois saem da televisão e finalmente direcionam o olhar pra mim. Quando resolvo olhar dentro dos olhos deles, vejo o símbolo da Globo e finalmente morro, de susto.

A Joana tem razão, eu sou uma pessoa meio chapada, naturalmente.


Ainda no assunto medo, estou vendo a Márcia Golsmighjjhuisdsfth (uma que apresenta aqueles programas de resolver problemas na televisão, que só tem barraco e gente pobre).
Ela sim, me dá medo. Além de feia e de um cabelo horroroso, ela é uma imbecil sem tamanho. Me bota no chinelo.
Outro dia, eu vi a Mara Maravilha, dando entrevista sobre a carreira dela. Assustador.
Pior que isso, só ele mesmo: Roberto Marinho.

Coisas imperdíveis proporcionadas pela TV aberta e pelas minhas tardes de falta do que fazer.


Vou explicar uma coisa um pouco mais séria agora: esse filme me deu muito medo. A imagem da garota saindo da televisão não sai da minha cabeça. Tenho estado num pânico silencioso. Eu imagino aquela menina andando pela minha casa, daquele jeito que eu já falei. Meio devagar, meio estranho. Normalmente, esses medos de filme são de noite. Mas esse, especificamente, é o tempo todo. Eu fico olhando para os lados, para as televisões da minha casa (são 4) e tenho esse medo. É um medo bobo, eu sei. Mas ainda sim, existe. Eu só sei que se isso viesse a acontecer, de fato, eu ia correr muito, ia pra muito longe, muito rápido.
Mesmo sabendo que isso tudo é completamente irreal e infantil, continuo com medo.
Foi uma imagem bem forte pra mim, a garota, a televisão, o modo de andar, o olhar, a inércia e quem vai morrer. Um tipo de medo que fica na cabeça. Um medo psicológico.
A minha cabeça é capaz de projetar a imagem dela nos lugares. Pode parecer discurso de louco, mas eu morro de medo.
Se acordo de madrugada, é uma merda voltar a dormir. Se a imagem da televisão falha, se durmo e o canal que eu estava vendo já saiu do ar, eu fico congelada de pavor.
Que coisa mais estranha.


Mudando de assunto, ficou legal o blog, né? (até parece que tem milhões de pessoas lendo essa porra)
Foi o Firula que fez. Eu escolhi, ele executou. Obrigada!
Mas ainda tenho algumas alterações a fazer. Mesmo assim, serei forte ao que já disse antes: não vou botar o negocinho de escrever opiniões, nem tag.
Vou dar o meu e-mail, o meu telefone, meu endereço, sei lá. Quem quiser me encontrar para falar sobre o blog, vai conseguir, mas não vou pedir nada pra ninguém. Mas aquelas paradinhas NÃO entram. Sou orgulhosa merrrrmo, e daí?
Já não me basta fazer um blog bonitinho – coisa que eu execrei antes.

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