Divagações de uma manhã estranha
Fazia tempo que eu não sentia uma manhã tão gelada. O vento frio batendo no meu rosto, o sol, meio tímido, pássaros que só se escuta bem cedo. Tudo parecia meio cinza – apesar do dia claro que estava por vir. As pessoas andavam apressadas, sem olhar muito bem por onde estavam passando, numa atitude bem rotineira, típica de quem já age automaticamente. Eu, obviamente, há muito não faço isso: não acordo cedo, não ando na rua com o sol nascendo. Salvo nas festas que fui, quando voltava delas. Mesmo assim, ou estava muito bêbada ou com muito sono. Muito indiferente ao fato de como uma manhã pode ser tão bonita. E o quanto as manhãs geladas me fazem refletir. De uma forma mais esperançosa, é verdade.
E foi nessa manhã fria de agosto que me senti mais uma vez como quando passei no vestibular. Vocês não sabem, mas ter passado foi um momento único na minha vida, foi uma virada de página. Muitas coisas decisivas aconteceram naquela época, juntas, indicando uma grande mudança. Mas, voltando à minha manhã, eu estava diferente hoje. A sensação, de tão estranha e forte, veio à tona. Estava me preparando para ver gente nova (sim porque a minha turma de jornal é feita de “gente nova”), sentia um ânimo diferente dos outros períodos. Uma alegria séria, uma responsabilidade estranha. Não sei, diferente. Era o meu primeiro passo na minha nova página. Sozinha de novo, começando do zero.
Mais uma vez, pensei estar entre os melhores. Esta idéia me faz bem, por mais idiota que seja. E não me enganei. Estou entre os melhores. Mas melhores em que? Melhores para quem? Nem sei.
Ainda tenho tempo para descobrir. É bom começar uma outra vida, no mesmo lugar, com quase as mesmas pessoas e quase do mesmo jeito. Mas, de certa forma, cada vez é única.
Depois de todo esse papo poético e apropriado para os metidos da zona sul (brincadeirinha!), a minha manhã gelada também me faz pensar coisas imbecis (claro, sem elas, este blog não faria sentido). Mais ou menos nesta mesma época do ano, mas há dois anos atrás, eu, vestibulanda que era, também divagava todas as manhãs. Só que eu pensava em fórmulas, em matérias, enfim, essa hora da manhã, eu já tinha revisto uma boa parte da matéria do dia. Hoje, boa comunicóloga que sou, fiquei muito tempo pensando quanto que eu receberia de troco (em dinheiro) ao pagar o ônibus com uma nota de dez reais, já que a trocadora falou que ia me dar um vale-transporte e o resto em dinheiro.
Só pra vocês não pensarem que eu sou burra:
x + R$1,40 (valor do vale) = R$10,00 - R$1,40 (valor da passagem que eu estava pagando)
x = R$10,00 - R$1,40 - R$1,40
x = R$7,20
depois dessa, minhas divagações até pararam eu comecei a sentir um pouco de sono.
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