Comentários de uma vidinha tijucana de merda...
Bom, esse post será longo e chato. Eu preciso mais escrever do que você precisa ler (você quem?, incita meu eu interior, mais uma vez.). Então não se anime. Desista logo, antes que seja tarde. Volte para a sua leitura de e-mails chatos e blogs metidos a engraçadinhos.
Pronto. Está avisado.
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Engraçado é ver como a vida muda. Ver, de forma intensa, ver, de verdade.
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Fomos ao Nautilus, para o lançamento do CD do RadioHead. É, foda-se o RadioHead. O que interessa é que fomos lá por causa da Joana.
Bebi, dancei, etc.
Sempre, na minha vidinha zn de merda, lidei com festas e boates onde se toca a música da moda e todos sabem dançar o que está na moda. Isso sempre foi normal. Na verdade, era consensual. Minha visão de dança parava por aí. Não é só dança, é comportamento pré-estabelecido. Eu espero (esperava, não sei) algo mais ou menos pré-determinado. Lá, pela primeira vez, eu dancei muito.
Vou explicar melhor isso: dancei como nunca tinha dançado, não olhei, não me importei. Não quis saber se as pessoas estavam por dentro das letras das músicas, nem se elas dançavam igual. Não percebi como estavam vestidos. Se eram homens, mulheres. Não reparei em fulano beijando ciclano, nem na intensidade dos beijos, em nada.
Eu só me diverti. E dancei. Nada importava. A música não era a melhor da minha vida. Mas isso também não importava. Então percebi, que não há uma melhor música.
Diferente, muito diferente. Diferente do Guapo, por exemplo (minha ultima experiência em noite “bombação”), onde todo mundo olhava pra todo mundo. Eu nem sei mais se o objetivo era pura e simplesmente a musica, o ritmo, as sensações que o som causa no corpo. Não, nem era. Vai ver por isso que eu não gostei tanto dessa ida ao Guapo.
Mas ontem... não sei. Eu estava bêbada nas duas ocasiões, antes que se pense que só me senti assim por causa do álcool.
Pela primeira vez, quando olhei para o Pedro dançando, não o achei fora do ritmo, ou fora do compasso. Não. Lá, cada um tem o seu. O corpo e as sensações provocadas pelo som é que mandam. Não há um critério, nem uma regra pré-estabelecida.
E eu me senti tão livre. Como nunca em uma pista de dança. Leve. Não consegui me importar com convenções, com modelos, com gays, lésbicas, bis, heteros, sei lá, foda-se tudo. Fodam-se todos e vamos dançar.
Eu cantei umas músicas que eu nem sabia que eu sabia! Umas muito boas e há muito esquecidas. Coisas que eu não escutava há séculos! Músicas que eu adorava em alguma época da minha vida, mas nunca tinha dançado. E as que eu não conhecia, passei a conhecer. E dancei. Muito.
A festa nunca termina começa a fazer algum sentido na minha cabeça.
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Coisas diferentes e maravilhosas passam a coexistir em mim. Ainda adoro samba. Estou escutando o samba da Mangueira (com duplo sentido, por favor) do ano passado e meu corpo começa a querer sambar, mesmo com as pernas doendo de tanto dançar ontem.
Continuarei indo ao Guapo. Ainda vou lembrar com carinho da minha época de Spice Girl.
E vou me orgulhar de saber uma música inteira do Prodigy, ou do Garbage, ou de um grupo que eu nem sei o nome, mas cantei a música inteira. E ainda sim, um dos dias mais felizes da minha vida foi quando fui ao show dos Backstreet Boys. Ou quando fui ao dia pop, no Rock in Rio. Também me arrependo de não ter ido ao show do Guns. Continuarei adorando Beattles. E quando o Lulu Santos cantar (de novo) “nada do que foi será...” eu ainda vou parar pra pensar o quanto a minha vida mudou.
O quanto ela cisma em mudar.
E o quanto eu adoro quando isso acontece.
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Depois de todo esse papo sobre música e vida, chego à conclusão de que não mais me preocuparei em definir um estilo pra mim. Não vou mais ficar quieta quando, durante um papo “cabeça” sobre música, eu não fizer a menor idéia de quem está se falando. Não terei mais problema nenhum em dizer que eu odeio o Chico Buarque, que ele não me diz nada, e não dirá enquanto eu odiar a voz dele. E quando me perguntarem que música ou que grupo eu mais gosto, eu vou dizer: NÃO SEI!!!!!!!!!!
Porque eu não sei mesmo. E não quero saber!
O que há de mais legal em mim é que eu não sei. Não sou contra quase nada, não me incomodo com quase nada, danço quase tudo. Sem recalques.
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Mudando de assunto, eu sou muito ZN mesmo.
Meu pai falou que, no dia dos pais, nós iríamos no Caio Martins ver o jogo do Botafogo, depois a gente ia comer uma carne lá em Niterói mesmo. Eu a-d-o-r-e-i! Fiquei uns dois dias comemorando que esse ia ser o Dia dos Pais mais legal que eu já tive (eu? Mas o homenageado não era meu pai?).
Aí vem meu pai, agora de noite, me dizer que está cansado, que não vai querer ficar na fila e que nós vamos ao cinema na Barra, depois vamos comer algo mais “legal” (palavras dele) por lá mesmo.
Cinema? Barra? Algo mais legal?
Não!!!! Eu quero estar no meião da torcida (enoooorrrme) do Fogão, quero ficar em pé, quero passar perrengue, quero almoçar no podrão, ser mal-atendida, esperar muito e comer carne mal-passada, sangrando. No final, palitaríamos os dentes, felizes.
Poxa, eu queria muito esse dia dos pais zn... ia ficar mais feliz que pinto no lixo.
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E mais uma vez, estou escrevendo no Word. Desta vez porque meu modem resolveu sumir do computador.
E mais uma vez, assim que eu puder, publico esta merda.
No dia em que meu computador ficar bom, A Fátima não vai mais gesticular.
Escrevido por Carol_Rainha às 1:50, do dia 10/08/03.
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